quinta-feira, 28 de junho de 2012

Lei  n°12.634, declara o dia 19 de março como o dia nacional do artesão. Entendemos que é importante uma reflexão sobre o que representa para nós este novo passo  em direção à qualificação das relações entre a categoria dos artesãos, os Poderes Públicos Executivos e Legislativo e a população.
É preciso dizer que a história do artesanato inicia junto com a história da humanidade.
Desde os primórdios da civilização, a atividade artesanal está presente na vida dos homens e mulheres que  habitam o nosso planeta.
No início, era a produção de bens necessários e facilitadores da vida nas comunidades primitivas.
Eram fabricados utensílios de uso rotineiro, como ferramentas, armas rudimentares, peças de barro ligadas à culinária, cestas para transporte de frutos e raízes, e lógico, as primeiras vestimentas de couro.
Com o passar dos anos e a evolução da humanidade, o artesanato deixou de ser utilizado apenas para este fim.
Ele passou a expressar a criatividade e as manifestações culturais  que valorizavam as raízes, os hábitos e costumes dos povos.
As características de cada peça produzida nos permite identificar a diversidade cultural dos povos, sua origem territorial, seu tempo dentro da evolução da humanidade.
No Brasil, o artesanato alcançou elevado referencia na manifestação da nossa diversidade cultural, oriunda dos diferentes povos que aqui se fixaram.
Depois, foram os portugueses  os espanhóis, os italianos, alemães, holandeses, ingleses e também o povo negro, trazido do continente africano e transformado em escravo em nossas terras, que agregaram à produção brasileira de artesanato os seus próprios valores culturais, bem como, apresentaram técnicas e ferramentas até então desconhecidas na terra Brasilis.
Todo o processo de colonização deste rico e vasto território, todos estes povos, sem entrar no mérito dos motivos pelos quais aqui chegaram, contribuíram para que o Brasil se tornasse um país multirracial e, mais ainda, multicultural.
Contribuíram para as atividades artesanais através das diversas técnicas, estilos e bens produzidos.
Hoje, alguns séculos depois, a história continua e o artesanato é uma atividade que potencializa a geração de renda e trabalho para milhares, talvez milhões de pessoas e contribui com a inclusão social.
Mais do que isto,  é uma opção daqueles que querem manter vivo o patrimônio cultural construído pelos povos ao longo da história da humanidade.
É através de suas organizações que estas pessoas investem em sua formação e qualificação, trocam experiências, buscam novas formas de produção, novos espaços de exposição e comercio.
Por isto, os artesãos se diferenciam de outras formas de produção ou comercialização relacionadas com a economia formal.
Podemos dizer que são produtores e guardiões do patrimônio cultural da humanidade.
E por este reconhecimento da sociedade é que lutam. Querem seu espaço, cumprem seu dever social, querem seu direito de ser chamados de ARTESÃOS.
Queremos a regulamentação da profissão de ARTESÃO, pois o reconhecimento em Lei nacional n°12.634, de 14 se maio de 2012 publicado no DOU de 15/05/2012 (nº 93, Seção 1, pág. 1),Institui o Dia Nacional do Artesão. É hoje a ferramenta balizadora que poderá servir como referendo aos projetos de desenvolvimento de nossas questões de forma mais racional.
A busca do reconhecimento da atividade artesanal como fator contribuinte e relevante para o desenvolvimento sustentável, a busca do reconhecimento para a arte-popular e para o artesanato como parte importante do patrimônio cultural, são as lutas constantes das muitas entidades de artesãos que organizam esta comemoração.
Estas lutas que efetivamente contribuem para fazer desta profissão um meio de vida adequado para os que a ela se dedicam.
Como não poderia deixar de falar,  o RS é um dos estados do Brasil a ter uma Leis nº 13.516 de Ação e valorização do Artesanato.
Parabenizamos a todas as  artesãs e artesãos do Brasil pelo esforço de cada um que acreditou e vem ajudando a construir esse nosso modelo de atividade auto-sustentável no fomento a geração de trabalho qualificado com responsabilidade social em nosso País.
Sérgio de Freitas Silva

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